Dicas práticas para viajar na Europa

Por Janaína Taillade

Antes de mais nada, agradeço pelo espaço concedido pelo Passagem na mão. Sou Janaína Taillade. Realizei em junho de 2011 uma viagem de 33 dias à Europa, em que fui basicamente a Paris, a Londres (só três dias) e a Nice (sul da França). Gostaria de compartilhar experiências para amenizar possíveis dificuldades que possam ter. Minha ideia é abordar possíveis fontes de problemas. Dicas do que visitar podem vir em outro post. Àqueles que optaram por pacotes turísticos, quero parabenizar, pois acredito que simplificaram suas vidas. Mas para quem, como eu, gosta de se arriscar mais e de aproveitar uma maior liberdade, num roteiro organizado por si mesmo, vão as minhas dicas.

Língua

O primeiro conselho que dou é ter, pelo menos, noções básicas da língua nativa. Não sou uma expert em inglês, mas nada seria possível sem saber se comunicar minimamente (e viva os cursos de línguas). Perguntar pelo seu caminho, pedir ajuda quando não se está entendendo algo (uma mensagem ao auto-falante ou a utilização de uma máquina) ou escolher comidas num cardápio (perguntar o que significa o nome de um prato). Sobre essa comunicação em língua estrangeira, vale dizer que existem nativos mais ou menos pacientes e disponíveis, mas sempre se encontra alguma alma boa.

Passagens

Se você pretende se deslocar dentro da Europa, o melhor é mesmo antecipar a compra das passagens e comprar tudo pela internet. Será bem mais barato. Mas atenção! A maioria das passagens antecipadas e compradas pela web não podem ser trocadas. Ou seja, esteja no local e hora indicados com antecedência, para não perder seu dinheiro. Atenção: na França e na Inglaterra trens e aviões costumam ser pontuais. Se você tem medo de se atrapalhar nessa compra antecipada, talvez valha recorrer a agências ou ao Student Travel Bureau (http://www.stb.com.br/atendimento/lojas-stb.aspx ). Caso você queira muitas passagens de trem, existe o Europass que lhe permite pagar um preço único e viajar o quanto quiser (o STB orienta na compra desse tipo de serviço). Alguns sites úteis, como o do Eurostar (trem que vai de Paris para Londres) ou o da SNCF (companhia de trens francesa): http://www.eurostar.com/UK/x_euro/leisure/latest_deals/spring_paris2.jsp e http://www.sncf.fr/ . Caso viaje pelo Eurostar, de Paris para Londres, saiba que a empresa realiza um check-in da mesma maneira de uma empresa aérea, incluindo controle de passaportes por autoridades.

Curioso é que o preço da passagem dentro de um mesmo dia varia de acordo com o horário. Em claro, viajar às 6 horas da manhã pode ser duas vezes menos que às 10 horas da manhã. Viajar na sexta-feira, será mais caro que na segunda-feira.

Para destinos próximos da cidade onde se está hospedado, há passagens mais baratas e que podem ser compradas na hora. Em Paris, vale ir para Versailles ou para a EuroDisney. Existem eventos em cidades próximas como Provins, que valem a pena serem conferidos. Nos arredores de Londres, já ouvi dizer que há muitos locais interessantes, mas não darei dicas do que não conheço (só fiquei três dias em Londres). Também fui à Nice. Lá é fácil comprar passagem para Cannes, Antibes, Mônaco ou Saint-Tropez. Acho que são cidades que dispensam
apresentações. Pode-se ir também facilmente até a Itália em cidades fronteiriças.

Metrô, ônibus, RER, tramway

Para os iniciantes, meu conselho é: estudem as linhas de transporte público, seja qual a cidade que vocês forem. Os metrôs de Londres e de Paris têm mapas até na internet. Mas chegando em Londres ou Paris são distribuídos mapas gratuitos. Pode-se evitar o aborrecimento de se perder e de perder seu tempo. Os transportes não são nenhum
quebra-cabeça, basta atenção para se orientar nas linhas. Mas a estudada anterior é fundamental. Todo dia, façam um programa do que querem ver e de quais as linhas precisam pegar. Estes sites são úteis: http://map.metro-passes.com/cartao-paris-metro.htm e
http://www.tfl.gov.uk/gettingaround/1106.aspx .

Considero o metrô de Londres mais complexo que o de Paris. Porque quase todas as linhas têm bifurcações. Isso significa que numa mesma plataforma haverá trens para destinos finais diferentes. Em Londres, é essencial saber se orientar pelos pontos cardeais. Onde você vai é no Norte, no Sul, no Leste ou no Oeste? Em Paris, a coisa só se complica com as grandes linhas que vão para o subúrbio, o RER. Aí há bifurcações e há mais zonas, ou seja, paga-se mais caro.

Em Paris como em Londres, existem cartões de transporte público (para se deslocar dentro da cidade). Você paga um valor único, carrega o cartão e tem o direito de circular o quanto quiser em Paris, em qualquer tipo de transporte público. É o Navigo. Existe também o Paris Visite, especial para turistas. Em Londres é o Oester. Ele pode ser mensal como na França ou pode ser comprado e carregado com o dinheiro que você quiser, mas, nesse caso, a cada trajeto o valor da passagem vai sendo descontado. Tanto em Paris como em Londres, os mapas das cidades são divididos em zonas de transporte. Quanto mais longe do centro, mais caro. Tanto em Paris quanto em Londres, as duas primeiras zonas são suficientes para ver os principais monumentos.

Na minha visão, uma dor de cabeça são as máquinas de comprar tickets. Mesmo tendo escolhendo a língua, elas dão tantas opções que é fácil se perder. Aconselho procurar uma ajuda de um profissional responsável ou comprar nos guichês, quando tiver. O profissional vai saber dar o ticket correto, segundo o destino. Para isso, é preciso falar ao menos um pouco de inglês. Na França, infelizmente nem todo mundo saberá falar inglês. Se o jeito for comprar na máquina, não tenha medo de ver as várias opções da máquina, para tentar compreender. Tem que estar atento para questões de zonas. As máquinas inglesas têm opções diferentes das francesas, mesmo que soubesse todas, não daria para falar todas aqui. Uma dica é que, ao comprar tickets individuais para zonas distantes, se você souber a estação de destino ajuda. Nas máquinas francesas, você pode comprar um ticket só para várias conexões. Você pode até comprar ticket para o dia inteiro, também.

Segurança

Se você vai viajar para a Europa, talvez pense, como eu pensava, que não precisa se preocupar com segurança. Infelizmente, a realidade não é mais essa. Há roubos por lá e malandros querendo lhe enganar, também. Quando se é turista, você está ainda mais vulnerável: não sabe a língua, não conhece as moedas nem as cédulas, não conhece seu caminho, está cheio de bagagens ou de pacotes…

Não é a toa que em cada estação de metro de Paris, há mensagens nos auto-falantes sobre a possível presença de “pickpocket”. Esta palavra designa aquele ladrão com mão leve, que abre sua bolsa sem você perceber, aproveitando a multidão, ou que leva um pertence quando você está distraído. Em Londres, também tem esse mesmo tipo. Segundo me informaram moradores de lá, há muitos nos pubs. Alertaram-me para ter cuidado com carteiras nos bolsos de trás das calças e com bolsas desprotegidas. Fiquemos atentos portanto.

Em Londres, um comerciante no metrô quis me fazer acreditar que tinha dado uma cédula como troco, sem ter dado. Em Paris, uma pickpocket abriu uma bolsa nossa e foi pegue no flagra por nós. Em Paris, um homem num carro de luxo nos parou com o seguinte papo: tinha simpatizado conosco e queria nos “dar de presente” dois casacos. Depois que entregou os casacos, pediu uma “pequena” contribuição para a gasolina!

Comidas

Um tópico que merece ser abordado é a alimentação. Afinal para bater tanta perna é preciso repor as energias. Em Londres, como Paris e Nice, come-se bem caso queira. Em todos os locais, há também bote salva-vidas como o McDonald’s. Mas vale a pena se arriscar e comer coisas mais gostosas e diversificadas. Em restaurantes e pubs, os pratos são individuais. Os valores mais baratos vão de 9,00 até 15,00 Euros ou Libras. Para um preço bom, minha dica é buscar em ruas transversais de locais turísticos. Deu para comer por 15,00 (prato individual) numa transversal da Avenida Champs Elysées. A outra dica para baratear é pedir água da torneira. É costume pedir: “une carafe d’eau” ou “tap water”. Refrigerantes ou bebidas alcoólicas costumam serem caras.

Na Inglaterra, por causa do inglês, tudo será facilitado, para falar com o garçon e para ler o menu. Eu tinha preconceito com a comida inglesa, mas fiquei muito satisfeita com o que comi. Vale a pena entrar num pub e comer uma “English pie” (torta salgada), um “fish and ships” ou “sausages”. Se quiser algo mais prático, não falta comida pronta e boa em Londres: sanduíches gostosos ou saladas feitas na hora ou não.

Na França, seria uma pena ir no único país do mundo cuja a culinária é reconhecida como patrimônio da humanidade pela Unesco e não comer em restaurante. Vale a pena tentar vencer a barreira da língua. Alguns cardápios têm tradução para o inglês. Alguns garçons arranham um espanhol ou inglês. Tem muita coisa deliciosa. Há uma diversidade de animais cuja carne é consumida: pato, frango, carneiro, cordeiro ou gado.

Dica para os brasileiros: “veau” não é viado (rs)! “Veau” é o bezerro. É uma carne mais cara, porque é mais fácil de mastigar que a da vaca. Steak é o bife ou carne de gado tipo hambúrger. Não caiam na besteira que fiz. Se pedirem steak tartare virá uma carne parecida com hambúrger, sendo que crua. A batata frita é, às vezes, identificada apenas como “pommes frites”. Portanto “Steak pommes frites” é um prato comum. Outra dica é provar de prato de outras nacionalidades. Tem paella, tem “couscous marocain” (cuscuz maroquinno), tem sushi, tem comida chinesa e tem comida italiana. Todas imperdíveis.

Bagagens perdidas?

Não desejo que isso aconteça a ninguém, mas extravios de bagagens acontecem, como aconteceram comigo e outros passageiros. Tive a sorte de recuperar as malas dois dias depois do meu retorno ao Brasil. Depois de passar pelo atraso das bagagens, escutei vários depoimentos de outros viajantes que sofreram esse mesmo problema. Alguns levaram até semanas para reaver seus pertences.

O procedimento para reaver as malas me foi indicado pelos próprios funcionários da empresa aérea. Ao chegar ao destino (Fortaleza), me dirigi a um guichê especial da companhia, dentro da sala onde normalmente se recebe as malas, na esteira. Descrevi minhas malas e recebi um papel especial. Dei meus dados como telefone e endereço. Recebi as malas em casa. Tive alguns aborrecimentos, pois o porteiro do meu prédio foi ameaçado pelo funcionário da empresa, com vistas a fazê-lo assinar um documento como qual se responsabilizava pela integridade das bagagens. Reclamei na página do facebook da empresa. Eles me responderam prontamente.

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