Pra comer tem que pagar

Vocês viram a matéria publicada na Revista Veja da semana passada, sobre a Gol começar a vender os lanches que antes eram oferecidos aos passageiros??? Na hora, fiquei meio chocada (apesar de esperar tudo da Gol), mas logo lembrei de um episódio que passei em 2006, na Espanha. Voando de Barcelona para Madrid pela SpainAir, fui surpreendida pela comissária de bordo, que me entregou o menu com preços de cada coisa. Era minha primeira vez na Europa e eu nunca tinha visto tal prática aqui no Brasil. Na hora, me bateu uma revolta interna, mas depois a veia marketeira foi mais forte e analisei friamente a situação.

As empresas aéreas, na briga pelos passageiros, tendem a reduzir seus “custos extras” para diminuirem o preço das passagens. Essa prática é bem comum nos EUA e na Europa; as empresas de menor porte vendem lanches, oferecem preços diferentes de assentos dentro da mesma aeronave, cobram pelo uso do cobertor e travesseiro (quando oferecem esse serviço) etc. Quem ganha e perde somos nós, já que temos passagens mais baratas, porém, em compensação, temos que levar uma graninha extra se quisermos comer durante o voo.

Para quem ainda não teve a oportunidade de ler a matéria da Veja, segue abaixo:

“A bordo, tudo tem seu preço
Revista Veja – 20/06/2012
Gustavo Simon

Companhias aéreas usam de artifícios para criar taxas sobre serviços que antes eram de graça
A competição entre as companhias aéreas nacionais trouxe uma grande vantagem aos passageiros: o preço dos bilhetes é o mais baixo desde 2002. Mas só o dos bilhetes. As empresas passaram a cobrar dos passageiros por serviços que antes saíam de graça. Na semana passada, a Gol anunciou a adoção de novas taxas – muitas já praticadas pelas concorrentes (veja o quadro abaixo). Desde o começo de junho, para embarcar menores de idade desacompanhados, pagam-se 90 reais extras (60 dólares no caso dos percursos internacionais). A partir desta semana. quem quiser reservar um assento próximo à saída de emergência. onde há mais espaço para as pernas, vai desembolsar uma tarifa de 10 reais. Também neste mês foi reduzida a oferta de lanches grátis nos aviões da companhia. Desde abril, os sanduíches eram cobrados em 180 dos 900 voos diários – agora, é preciso pagar por eles em 400 voos. A Gol já havia reduzido de quatro para três o número de comissários de bordo nas viagens domésticas feitas com o Boeing 737-700.

A justificativa das companhias aéreas é que a demanda crescente por passagens veio acompanhada de aumento nos custos de operação. As despesas do setor são maiores que as receitas desde 2006. O preço do querosene de aviação subiu 29,3% em 2011. A Gol tenta se recuperar do prejuízo de 710,4 milhões de reais que teve no ano passado. A TAM, sua principal concorrente, registrou prejuízo de 335 milhões de reais. Ambas alegam que os custos extras para os passageiros são uma tendência do mercado. E verdade. Na ponta do lápis, em todo o mundo. apenas o modelo de negócios das companhias que vendem passagens a baixo custo, mas cobram por todo e qualquer serviço a bordo, tem se provado rentável. A irlandesa Ryanair, que instituiu taxa até para as compras feitas com cartões de crédito de bandeira não filiada a seu serviço, anunciou lucro de 500 milhões de euros em 2011. Nos Estados Unidos, o Wall Street Journal avaliou a Spirit, similar americana da Ryanair, como a empresa aérea mais lucrativa do país. Diz André Castellini, da consultoria Bain & Company: “A diferença entre as companhias aéreas tradicionais e as de baixo custo é hoje muito mais tênue, e isso deve se acentuar. A prioridade do cliente são os preços baixos. e as tradicionais tiveram de se adequar. Passaram a oferecer tarifas referentes apenas ao transporte e a cobrar pelos adicionais”.

Os Estados Unidos se tornaram uma espécie de laboratório de testes sobre o que pode ser cobrado dos passageiros sem provocar revolta. O senador democrata Charles Schumer promoveu recentemente uma manifestação pública de repúdio a prática das companhias aéreas de cobrar pelas reservas feitas para as poltronas das janelas, do corredor e próximas às saídas de emergência. Casais ou famílias com crianças se veem obrigados a gastar um extra para se sentar próximo uns dos outros. As taxas para escolha de assento custam entre 9 e 59 dólares “Um pai não deveria ter de pagar ágio para poder supervisionar e proteger seu filho em um avião”. protestou o senador Schumer. Em 2011, a Delta, líder nos voos domésticos nos Estados Unidos. arrecadou mais de 1,6 bilhão de dólares com tarifas extras. Quatro anos antes, esse valor não chegou a 115 milhões de dólares. Disse a VEJA o americano Charles Leocha. diretor da ONG Consumer Travel Alliance: “A cobrança de taxas já foi incorporada pelas companhias. Infelizmente, só resta aos passageiros acostumar-se com elas”.”

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