Em Pucón, o desafio do Villarrica

o desafio

19/04/2013

Eram apenas 5 horas da manhã quando o despertador tocou e o frio ainda insistia em nos maltratar, mas o desafio de escalar o vulcão Villarrica já havia iniciado. Os guias do Backpackers iriam nos buscar no hostal às 6h30 e, como éramos quatro pessoas, precisávamos acordar cedo para tomar banho e nos organizarmos antes de ir pegar o rumo do vulcão. Depois de banhados, alimentados e todos os trecos arrumados, ficamos os aguardando, mas eles nunca chegavam. Quase uma hora depois, uma leve buzinada nos despertou do breve cochilo, mas quando saímos da cabana eles não estavam mais lá. Corremos em disparada até a agência e lá relatamos ao dono tudo o que havia acontecido. Enquanto vestíamos a roupa apropriada para a escalada e pegávamos nossas mochilas, o dono da agência chamou um táxi, que nos levou até a base do vulcão.

Crédito: Fenanda Aldrigues
Crédito: Fenanda Aldrigues

Descemos do carro e o guia que nos esperava lá embaixo nos arrumou para a primeira etapa: subir até a saída do teleférico, o que nos pouparia 1 hora de caminhada até encontrarmos o restante do grupo.

Crédito: Fernanda Aldrigues
Crédito: Fernanda Aldrigues

Pagamos CLP 7.000,00 (R$ 35,00) por esse percurso que, ao final de tudo, vi que foi um dinheiro bem pago. A subida leva em torno de 5 minutos.

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Ao nos encontrarmos com o grupo, outro guia, Eduard, passou todas as instruções para a escalada e nos mostrou os guias-assistentes que nos acompanhariam, caso alguém ficasse para trás. Nesse momento vi que o tal carinha bonitinho que estava na agência no dia anterior era um desses guias de apoio.

p117 18Partimos, então, para a escalada propriamente dita. Um primeiro grupo, mais experiente, saiu na frente e desapareceu vulcão acima. Nosso grupo saiu logo depois e começamos a sentir os primeiros impactos da subida. Nesse trecho, que dura cerca de 40 minutos, caminhamos pela sombra e o frio seguia ao nosso lado. Os lábios começaram a rachar, os dedos ficaram encricrilhados, os olhos ardiam, a boca ficou seca.

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Logo chegamos ao ponto de apoio (primeira parada) e o guia nos pediu para tirarmos todo o excesso de roupa (casacos, cachecóis, gorros, etc), pois iríamos seguir 2h sob o sol. Aproveitamos para comer chocolate e tomar um pouco de água. O descanso, de apenas 15 minutos, era tempo suficiente para recuperarmos o fôlego sem perder o ritmo.

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Voltamos para o nosso desafio. Os dois grupos saíram juntos e parece que o descanso revigorou a todos, menos a mim e a Gabi. A medida que íamos subindo, eu e Gabi ficávamos para trás. A falta de preparo físico, o nível de dificuldade, a altitude, o calor, a areia e a mochila pesada foram determinantes para que ficássemos para trás. Nico, o nosso guia-assistente-gato, ficou para trás para nos acompanhar e tentava nos motivar (?!) dizendo que, no topo, uma caipirinha nos esperava. Enquanto nós duas sofríamos para tentar alcançar o nosso próprio grupo, escorregando entre as pedras, engolindo poeira, com falta de ar, Nico subia o vulcão literalmente com uma das mãos nas costas.

Quando finalmente chegamos ao segundo ponto de parada, que fica a cerca de 10 metros de onde começa a parte do vulcão com neve, resolvemos não mais continuar a escalada. Nesse ponto, Nico nos informa que havíamos subido 2.250m dos 2.890m que o Villarrica possui. Para quem nem imaginava escalar um vulcão no Chile, ter chegado até essa altitude já foi uma vitória gigantesca.

Crédito: Fernanda Aldrigues
Crédito: Fernanda Aldrigues

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Enquanto o resto do grupo calçava os grilhões e empunhavam as picaretas para o restante da subida, os três que ficaram para trás (eu, Gabi e o Nico) curtiam a paisagem, comiam, tiravam muitas fotos e começavam uma nova amizade.

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Ficamos nesse ponto cerca de 1h30, para que nosso corpo se acostumasse com a altitude e estivéssemos prontas para o desafio da descida, que nesse caso não segue à máxima “para baixo, todo santo ajuda”. Nico nos ensinou o melhor jeito de descer e, assim, fomos vulcão abaixo. Cerca de 30 minutos da descida, escorreguei em uma pedra que achei estar firme e cai de joelho no chão. Nico veio até mim e me ajudou a verificar se havia alguma fratura ou luxação, mas por sorte não houve nada de mais grave. Porém, a medida que descíamos, sentia meu joelho doer cada vez mais.

Quando chegamos ao nosso ponto de partida, lá no descida do teleférico, foi o momento para relaxarmos. Enquanto Nico e Gabi ficavam perto das outras pessoas que já haviam escalado e retornavam para a base do vulcão (existem dois horários de saída de grupos para o vulcão, um às 4h30 e outro às 7h30 da manhã), procurei um lugar isolado para ficar sozinha e refletir sobre tudo o que estava acontecendo comigo. Embaixo da plataforma do teleférico tinha um banco e lá fiquei um bom tempo.

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Logo que algumas pessoas foram embora, Nico me procurou e foi sentar comigo. Conversamos um bom pedaço de tempo até que a Gabi se viu sozinha e foi atrás da gente. Quando percebemos que na plataforma só havíamos nós três, fomos para a parte de cima e ficamos mais um pouco. Aproveitei esse momento para descobrir o que realmente tinha acontecido com o meu joelho e vi que eu havia sido premiada com uma ferida no joelho esquerdo.

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Em seguida, Nico nos avisou que iríamos descer até a base do vulcão, para que pudéssemos colocar novamente a roupa de escalada. Aproveitei para tirar as últimas fotos daquele visual maravilhoso que estava à nossa frente.

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Nesse segundo trecho da descida, Nico e eu já estávamos mais próximos e o assunto “caipirinha” voltou à tona e fomos conversando o restante da descida. Enquanto descíamos, Nico me chamou para o churrasco que os guias fariam à noite, para reunir os aventureiros do dia, porém, como eu já estava com a #passagemnamao para retornar para a Santiago, não respondi nem que sim e nem que não. Quando chegamos à base do vulcão, o carro que nos levaria de volta a Pucón já estava lá, porém teríamos que esperar o restante do grupo que foi até o cume.

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Enquanto esperávamos, entramos no carro e ficamos os três conversando. Cerca de 1 hora depois, o restante do grupo começou a chegar e logo voltamos para a cidade. No caminho, Fernanda e Thiago foram nos contando todos os detalhes do trecho final da escalada, da emoção e da alegria de ter chegado na boca do Villarrica e nos mostraram as fotos que tiraram.

Crédito: Fernanda Aldrigues
Crédito: Fernanda Aldrigues
Crédito: Fernanda Aldrigues
Crédito: Fernanda Aldrigues

Quando chegamos ao Backpackers, entreguei o equipamento deles e fui para fora da agência. Nico me seguiu e fez novamente o convite para o churrasco de logo mais e acabou me convencendo a ficar em Pucón. Voltamos para onde havia deixado meus amigos e fiquei esperando os três terminarem de se “desarrumar” do vulcão para tiramos fotos com os guias que nos acompanharam, Aldo, Eduard e Nico.

Crédito: Fernanda Aldrigues
Crédito: Fernanda Aldrigues

De volta à cabana, deixei minhas coisas lá e fui trocar meu bilhete de volta e descansar, pois às 20h eu deveria encontrar o Nico e o pessoal para comprarmos as carnes para o churrasco, as bebidas e os ingredientes para a caipirinha, que acabou virando caipiroska. Arrumei minha bolsa de viagem, me despedi dos meus “velhos” amigos (que iam retornar para Santiago naquela mesma noite) e fui para o Backpackers encontrar os novos. Nico deixou minha bolsa na agência e fomos com Aldo, Sandra e Rom (os dois últimos, um casal de namorados franceses que estão em uma viagem de 1 ano ao redor do mundo e estavam no nosso grupo da escalada). Depois de tudo comprado, Nico se encarregou de preparar as carnes do churrasco, enquanto Aldo era o churrasqueiro oficial. Muita música e vinhos chilenos no rádio e na mesa, o papo fluía tranquilamente. Quando as carnes já estavam prontas, arregacei as mangas e fiz as tão solicitadas caipiroskas.

Credito: Sandra e Rom - theworldiscalling.fr
Crédito: Sandra e Rom – theworldiscalling.fr
Credito: Sandra e Rom - theworldiscalling.fr
Crédito: Sandra e Rom – theworldiscalling.fr
Credito: Sandra e Rom - theworldiscalling.fr
Crédito: Sandra e Rom – theworldiscalling.fr
Credito: Sandra e Rom - theworldiscalling.fr
Crédito: Sandra e Rom – theworldiscalling.fr
Credito: Sandra e Rom - theworldiscalling.fr
Crédito: Sandra e Rom – theworldiscalling.fr
Credito: Sandra e Rom - theworldiscalling.fr
Crédito: Sandra e Rom – theworldiscalling.fr

O churrasco seguiu seu rumo esperado (!!!!) e de lá fomos todos para o Primo’s Bar, que estava cheio de “cantores” de karaokê. Rimos, cantamos, brincamos, mas voltamos cedo para casa, pois estávamos cansados da longa aventura no Villarrica e Nico iria novamente subir o vulcão no dia seguinte.

Crédito: Sandra e Rom - theworldiscalling.fr
Crédito: Sandra e Rom – theworldiscalling.fr

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Resumo do dia:

* Teleférico do vulcão: CLP 7.000,00 (R$35,00)

* Troca da data da passagem: CLP 1.000,00 (R$5,00)

* Participação no churrasco: Não tem preço (:

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